Reforma administrativa III: localizando os supersalários do funcionalismo federal

Terminei o texto anterior argumentando que, ainda que a mediana do Judiciário seja a mais elevada entre os três poderes, seu valor (R$ 13.589,00 em 2018) está longe de ser um valor exorbitante. Em outros termos, ainda que estejamos tratando de remunerações elevadas – em um país onde a média de rendimentos do trabalho é pouco superior a R$ 2.200,00 – o conjunto de indivíduos ao qual se chega utilizando esse critério não representa, convenhamos, uma elite salarial: ou seja, a mediana do Judiciário pode ser um bom ponto de partida, mas não de chegada. O sarrafo precisa subir.

Reforma administrativa II: em busca da elite do funcionalismo público federal

Este é o segundo de uma série de três textos dedicados ao tema de uma eventual reforma administrativa no Brasil, a serem publicados neste espaço com o objetivo geral de contribuir com o debate público em torno do tema. Este texto e o próximo serão guiados pela mesma questão principal: onde estão localizados os privilégios existentes no setor público federal? Começo considerando o número de vínculos civis federais com remuneração acima da mediana do Poder Judiciário, a maior entre os três poderes da República, para os anos 2000, 2005, 2010, 2015 e 2018. A integra do estudo pode ser acessada aqui.