|Destaque| Os super-ricos e a pandemia: quem são os novos bilionários de 2021?

A pandemia de Covid-19 surpreendeu a todos e afetou a economia da maioria das nações, vitimando até as principais economias do mundo. Contudo, determinados setores seguiram enriquecendo nestes tempos considerados como a maior recessão desde a crise de 29. 

Assim, enquanto boa parte dos países do mundo enfrentou enormes quedas em suas respectivas economias, a crise sanitária também ampliou o abismo existente entre trabalhadores formalizados e de alta qualificação e aqueles que possuem menor qualificação e atuam no mercado informal. Isso aponta para efeitos socioeconômicos muito negativos e duradouros que podem ser gerados pela pandemia de covid-19. 

Os bilionários em 2021.

Apesar da catástrofe sanitária, social e econômica que o planeta enfrenta, dados recentes da Forbes confirmam que houve enriquecimento recorde no topo da pirâmide de renda mundial: atualmente há 2.755 bilionários, que viram seus patrimônios individuais serem multiplicados em meio ao clima de recessão que se espalhou pelo mundo a partir de março de 2020.

Ao menos 250 que estavam fora do ranking, retornaram para essa seletíssima lista e 86% dos 2.755 enriqueceram mais do que no ano anterior. Do ponto de vista geográfico, a maioria dos bilionários está localizada nos Estados Unidos e China (incluindo Hong Kong e Macao). 

No topo dessa lista estão Jeff Bezos (Amazon), Elon Musk (Tesla e Space X), Bernard Arnault e família (LVMH), Bill Gates (Microsoft) e Mark Zuckerberg (Facebook). Juntos, eles totalizam 13,1 trilhões de dólares, segundo informações da própria Forbes. 

Na América Latina, o ranking de 2021 estampa o Brasil como o país com a maior quantidade de bilionários (65), seguido por México (13), Chile (9), Peru (6), Argentina (5), Colômbia (5) e Venezuela (1). 

O perfil dos novos bilionários

O grupo dos novos bilionários é composto por 493 indivíduos. Do ponto de vista setorial, o de tecnologia (99) foi o que mais contribuiu; seguido pelo de manufaturas (95); serviços de saúde (61); finanças e investimentos (58). Um fato curioso é que a China (juntamente com Hong Kong), vítima primária da crise sanitária do coronavírus, foi o país que mais produziu bilionários (210), a maioria oriunda setor de manufaturas (61).

O segundo país que mais produziu novos bilionários foram os Estados Unidos (98), onde houve um dos maiores índices de contágio e morte por covid-19 em 2020. Diferentemente da China, porém, a maioria dos novos super-ricos norte-americanos vem do setor de tecnologia (30). O terceiro colocado do ranking é a Alemanha, com 26 novos bilionários, dos quais 7 vêm do setor manufatureiro.

No caso da América Latina, apenas dois países apresentaram novos ricos: Brasil (12) e Colômbia (2). No caso brasileiro, os indivíduos mais bem colocados do ranking pertencem ao setor financeiro: tanto os quatro filhos de Joseph Safra (Banco Safra), quanto Guilherme Benchimol (XP Investimentos) vêm desse segmento.

Por outro lado, a maioria dos novos super-ricos brasileiros vem do segmento varejista, como destaque para a família Trajano, dona da rede Magazine Luiza. Completam a lista Andre Street, do setor de tecnologia; Eduardo de Pontes, processamento de pagamentos; Vera Rechulski, produção de cervejas; e Anne Werninghaus, maquinaria industrial.  No caso da Colômbia, a outra nação latino-americana, um dos novos bilionários vem do setor financeiro e outro da produção de cervejas.

Vale destacar que o Brasil produziu mais novos bilionários do que países como Itália (11) Suécia (8), Israel (6), Taiwan (6), Coréia do Sul (5), Austrália (5), Suíça (4), Malásia (4), Singapura (3), Turquia (3) e Reino unido (3), Espanha (3), Filipinas (2), Polônia (2), Portugal (1) e França (1).

O que podemos concluir com os novos bilionários? 

O que foi exposto acima mostra que o impacto pandêmico não diminuiu a capacidade de enriquecimento do topo da elite econômica mundial. Chama a atenção o fato de a área de saúde (que inclui a indústria farmacêutica) ser a principal fornecedora de novos bilionários. O que não impede que isso venha a ocorrer nos próximos anos, em função da expansão dos investimentos e da crescente demanda por vacinas.

Do ponto de vista nacional, atravessamos crises políticas e econômicas há anos e a pandemia expôs de maneira contundente o abismo que separa os pobres (maioria da população) dos ricos e remediados. Por outro lado, o ranking mais recente mostra que o Brasil segue produzindo mais bilionários do que muitos países desenvolvidos. Ironicamente, o país segue cada vez mais pobre.


Marília Correia Machado – Graduada em Direito na Universidade Tiradentes. Mestre em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná e, atualmente, doutoranda em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná.


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